A data de 25 de maio é marcada pelas comemorações do Dia da Indústria. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) é integrante da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e representa 132 sindicatos patronais, os quais representam aproximadamente 150 mil indústrias, de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas. Trata–se da maior entidade de classe da indústria brasileira.
“Em 2007, a receita líquida de vendas da indústria brasileira chegou a R$ 1,51 trilhão. Em São Paulo, o montante atingiu R$ 592,82 bilhões, ou seja, cerca de 40,0% da receita líquida brasileira”, aponta o diretor de Economia da FIESP, Dr. Paulo Francini.
Em entrevista exclusiva para a reportagem das Faculdades Oswaldo Cruz, Dr. Paulo Francini analisou as perspectivas de crescimento da indústria paulista em 2010, simulou um valor nacional do faturamento do setor industrial no Estado de São Paulo e explicou a abertura de novas vagas na indústria paulista.
Confira abaixo a entrevista na íntegra com o diretor de Economia da FIESP, Dr. Paulo Francini:
Reportagem FOC Quais as perspectivas de crescimento da indústria paulista em 2010? Dr. Paulo Francini: A indústria, setor mais dinâmico da economia brasileira, sofreu fortemente os efeitos da crise financeira iniciada em setembro de 2008. Já em dezembro do mesmo ano, o INA–Fiesp (Indicador de Nível de Atividade) havia declinado 18,7% em relação ao nono mês de 2008. Mas a recuperação iniciou–se já em 2009, tanto que a última vez em que o INA registrou queda, na série com ajuste sazonal, ocorreu em fevereiro de 2009, período em que o indicador registrou variação mensal de –0,63%, chegando a 2,36% em novembro. Entretanto, a retomada da atividade não foi suficiente para voltar aos níveis pré–crise, fazendo com que o INA apresentasse um declínio de 8,6% em 2009.
Contudo, o processo de recuperação da indústria continua robusto. Em março de 2010, o INA cresceu 2,8% na comparação com fevereiro, acelerando o crescimento de 1,0% apurado entre janeiro e fevereiro. Além disto, na desagregação do INA no 3º mês de 2010, nota–se que, em 14 dos 17 segmentos pesquisados pela Fiesp/Ciesp, o nível de atividade cresceu significativamente em relação a fevereiro, mostrando que a recuperação de níveis pré–crise está bem próxima de acontecer.
A Fiesp/Ciesp estima um crescimento da ordem de 13,5% para o INA em 2010, frente a 2009. Esta recuperação vigorosa da economia deverá ser mantida pelos próximos meses, sustentada na dinamização das demandas interna e externa.
Reportagem FOC Qual o faturamento anual da indústria paulista? Dr. Paulo Francini: Infelizmente não possuímos dados atualizados acerca do faturamento anual da indústria paulista em valores correntes. Mas, ao consultar a Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE, é possível encontrar valores da Receita Líquida com vendas da Indústria Brasileira e Paulista até o ano de 2007. Mesmo com esta defasagem, pode ser feito um breve exercício de simulação para encontrar um valor nacional do faturamento do setor industrial no Estado de São Paulo.
Em 2007, a receita líquida de vendas da indústria brasileira chegou a R$ 1,51 trilhão. Em São Paulo, o montante atingiu R$ 592,82 bilhões, ou seja, cerca de 40,0% da receita líquida brasileira. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) possui uma série histórica anual da variação das vendas do setor industrial até 2009. Este indicador apontou expansão de 15,7% em 2008, mas devido à crise financeira, as receitas das indústrias registraram uma queda de 4,2% no ano passado.
Tais números mostram claramente o peso da indústria paulista na economia brasileira.
Reportagem FOC A indústria paulista registrou abertura de 28,5 mil postos de trabalho em abril, em relação ao mês anterior. No confronto com o mesmo período de 2009, a alta foi de 2,11%, possuindo 47 mil novas vagas. Podemos afirmar que a indústria paulista já zerou as perdas e se recuperou da crise mundial? Dr. Paulo Francini: A abertura de 28,5 mil postos de trabalho ocorrida em abril marca o quarto mês consecutivo de saldo positivo no total de empregos gerados no setor industrial paulista. Em termos relativos, este valor representa um crescimento de 1,27% na série sem ajuste sazonal. Quando tal ajuste é efetuado, esta variação passa para uma leve queda de 0,56%.
Esta pequena retração ocorrida em abril de 2010 é resultado, basicamente, do comportamento do setor de açúcar e álcool, que registrou variação inferior no período em relação aos anos anteriores. Habitualmente efetuadas no quarto mês do ano, em 2010, entretanto, os produtores do setor adiantaram as contratações para o mês de março. Além disto, o setor sucroalcooleiro sofreu muito com a crise financeira e precisou passar por um processo de mecanização acentuada na colheita, fato que diminuiu a utilização de mão de obra. Mesmo assim, a indústria de transformação paulista acumula crescimento de 4,96% em 2010, o que representa 107,5 mil contratações realizadas nos quatro primeiros meses do ano.
Portanto, o panorama geral do setor no Estado passa uma sensação de tranquilidade, o que nos permite apostar na continuidade do crescimento do emprego. Assim, já a partir de maio, passados os efeitos sazonais verificados no setor de açúcar e álcool, a indústria de São Paulo deverá registrar resultado positivo novamente. E assim deverá continuar até o final de 2010, mesmo que ainda não alcance o nível de emprego atingido no período anterior à crise.
Estimamos que o Indicador de Emprego na Indústria de Transformação do Estado de São Paulo, elaborado pela Fiesp/Ciesp, registre um crescimento de 5,1% em 2010, na comparação com 2009. Valor similar, até um pouco superior, ao previsto pelo IBGE com relação ao emprego industrial em âmbito nacional (crescimento de 4,6%). Assim sendo, a avaliação que fazemos para o cenário de emprego no setor industrial é altamente positiva.
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