O resultado obtido no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) no ano de 2007, quando obteve a nota máxima em dois conceitos do Ministério da Educação (MEC), mostrou mais uma vez que o curso de Farmácia das Faculdades Oswaldo Cruz é o melhor avaliado e uma referência entre as instituições de ensino privadas do país. O sucesso, no entanto, é explicado por toda a trajetória percorrida desde sua criação.
As primeiras páginas da história do curso de Farmácia na Oswaldo Cruz foram escritas em 1980. Na época, o cenário de faculdades que graduavam farmacêuticos em São Paulo era deficitário na formação profissional e poucas instituições se propunham a organizar um curso complexo. Utilizando a experiência anterior da Oswaldo Cruz em cursos de Química e Engenharia Química, tradicionais e consolidados na instituição de ensino, os diretores se empenharam na implantação do curso da área de Saúde, com a primeira turma ingressando em 1981.
A Profa. Dra. Maria Aparecida Pourchet Campos, farmacêutica aposentada da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e UNESP, substituiu em 1984 na direção do curso a Profa. Maria Cacilda Câmara Lima, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com o desafio de continuar a construção do curso de Farmácia na Oswaldo Cruz.
Mudanças realizadas pela Dra. Pourchet
Assim que assumiu a direção, Maria Aparecida Pourchet Campos fez mudanças importantes no curso: introduziu disciplinas, melhorou os laboratórios, trouxe professores titulados e experientes, e incentivou a criação de cursos de especialização, valorizando a formação plena do farmacêutico nas habilitações de Farmácia Industrial e Bioquímica. “Todo esse trabalho resultou em um curso particular de Farmácia que tinha as mesmas características dos melhores públicos”, elogiou o atual diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Bioquímicas (FCFB) da Oswaldo Cruz, Prof. Dr. Paulo Roberto Miele.
Após 15 anos de transformações no curso da Oswaldo Cruz, Maria Aparecida Pourchet Campos faleceu em 2000, devido complicações decorrentes de uma broncopneumonia. “Infelizmente, ela veio a falecer. Lembro–me bem, ela estava trabalhando bastante gripada. Aconselhada, foi para o hospital e de lá não saiu mais com vida. Foi uma perda muito grande para todos nós”, lamentou Miele.
Na direção da FCFB, assumiu provisoriamente o então vice–diretor, Paulo Roberto Miele, sendo efetivado no cargo em 2002, com o grande desafio de manter e desenvolver o trabalho na área de Saúde. “Você pode imaginar o que significa assumir a vaga deixada pela Professora Pourchet? Foi, sem dúvida, a maior responsabilidade que já assumi!”, constatou.
A grande responsabilidade assumida é explicada pelo currículo de Paulo Roberto Miele. O diretor da FCFB começou sua trajetória profissional na indústria farmacêutica, como auxiliar de produção, chegando ao posto de diretor industrial. Em paralelo, fez especialização em Marketing e Administração Industrial, mestrado em produção e controle farmacêuticos e doutorado em Saúde Pública. Miele também teve passagem no Ministério da Saúde, dirigindo a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, o equivalente atualmente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Avaliações e reformas do MEC
Um ano após Miele assumir a direção da FCFB, o curso de Farmácia foi submetido ao Exame Nacional de Cursos (Provão), realizado pelo Ministério da Educação, para avaliar os cursos superiores. Ao lado da equipe de coordenadores e auxiliares, o curso obteve o conceito máximo no Provão nos anos 2001, 2002 e 2003, sendo a única faculdade de Farmácia do ensino privado a obter esta classificação.
Já em 2004, foi implantada a reforma curricular nos cursos de Farmácia, determinada pelo MEC, onde foram acrescentadas as habilidades e competências em ciências humanas e saúde pública. O objetivo das mudanças era resgatar o farmacêutico como profissional da saúde, já que, desde a vinda da indústria farmacêutica transnacional para o Brasil, a partir da década de 50, as farmácias aos poucos se modificaram e perderam sua função de estabelecimento de saúde, transformando–se em quem somente dispensavam medicamentos.
As reformas complementaram ainda mais o curso já vitorioso da Farmácia nas Faculdades Oswaldo Cruz. O curso manteve em seu currículo as disciplinas tecnológicas, importantes para capacitar seus alunos para a indústria farmacêutica, cosmética e de alimentos, e acrescentou as disciplinas exigidas pelo Ministério da Educação, tornando–se um dos mais completos projetos pedagógicos de curso do país, habilitando e capacitando seus alunos para todo o âmbito farmacêutico.
“Nenhum outro curso de farmácia oferece aos seus alunos a oportunidade de cursar em sua grade curricular as disciplinas necessárias a capacitá–lo para trabalhar nas indústrias farmacêutica, cosmética e de alimentos, nas análises clínicas e toxicológicas”, apontou Miele. “Além de atuar também nos postos em saúde pública, participando das equipes multiprofissionais de saúde nas áreas de vigilância sanitária, epidemiológica e em programas de saúde família”, acrescentou.
No mesmo ano da reforma curricular, o Ministério da Educação substituiu o Provão e passou a avaliar os cursos superiores através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). O curso de Farmácia da Oswaldo Cruz recebeu o conceito máximo em 2004, ficando entre as dez melhores escolas avaliadas, e, três anos depois, manteve a maior nota, ocupando o sexto lugar no Brasil. |